O número de mulheres que procuram a graduação de Medicina Veterinária e Zootecnia nas universidades vem aumentando e, consequentemente, a quantidade de formandos e profissionais do sexo feminino no mercado de trabalho. Hoje, dos 188.863 médicos-veterinários registrados no Sistema Conselho Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs), 56% são mulheres (106.012), enquanto entre os 12. 453 zootecnistas inscritos, o público feminino ocupa 36% da lista (4.524).

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher (8/03), o  Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) apresenta um pouco da carreira de mulheres que fazem a diferença na Medicina Veterinária e Zootecnia. Elas ainda enviam mensagens inspiradoras para estudantes e profissionais.

Assista também ao vídeo feito especialmente para você, mulher!

Adolorata Aparecida Bianco Carvalho

Médica-veterinária, docente e integrante de Comissões e Conselhos de Saúde

Ser médica-veterinária é…

“Iniciei minha profissão atuando com grandes animais, no campo, há 45 anos, cercada de homens. Preconceito? Sinceramente, raríssimas vezes tive que enfrentar. Ao mesmo tempo, há 50 anos, parecia existir mais preconceito e mais desvantagens para as médicas-veterinárias mulheres, mas elas eram mais fortes, corajosas, ousadas e mais determinadas do que as jovens da atualidade.

Conheço várias médicas-veterinárias fantásticas que atuaram no campo, com grandes animais, nos anos 1970, 80 e 90, muito reconhecidas e respeitadas. Sinto que hoje existe muita ansiedade e insegurança, muito temor.

Certo preconceito continua a existir na nossa profissão e a maioria das médicas-veterinárias mulheres prefere não arriscar e opta por atuar em área que consideram mais acessível para elas, como a clínica de animais de estimação.”

Se pudesse dar um conselho, seria…

“Sejam fortes, corajosas e determinadas; não se encolham, sejam humildes, mas nunca manifestem insegurança; imponham-se pelo conhecimento construído com muito e constante estudo, pela ética e pela responsabilidade; e, essencialmente, sejam mulheres – ou o que quiserem ser, com muito respeito!”

Quem é Adolorata Bianco Carvalho? 

Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), campus Jaboticabal, iniciou sua carreira na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, onde atuou 12 anos em Defesa Sanitária Animal e Extensão Rural. Com pós-graduação e mestrado em Patologia Animal, pesquisou sobre febre aftosa em bubalinos. É docente na Unesp e atua em pesquisa e extensão, principalmente, nas áreas de diagnóstico, epidemiologia e controle da raiva; zoonoses; saúde pública; gerenciamento de Programas em Saúde Animal e Saúde Pública Veterinária; Defesa Sanitária Animal; Educação em Saúde; e Bioética. A médica-veterinária também integra várias comissões e conselhos de Saúde no Brasil.

Angela Escosteguy

Médica-veterinária, ecologista e educadora

Ser médica-veterinária é…

“Como veterinária, mulher e ecologista, sou apropriada e empoderada para usar meu conhecimento e minha sensibilidade feminina para promover o cuidado com os animais, com o ambiente e com as pessoas. Sinto-me feliz e realizada por contribuir para um mundo mais suave e harmonioso para todos os habitantes deste lindo e único planeta. ”

Se eu pudesse dar um conselho, seria…

“Leiam, estudem muito e sempre, viajem, observem distintas realidades, escutem e sigam o que diz o seu coração”.

Quem é Angela Escosteguy? 

Sócia-fundadora e presidente do Instituto do Bem-Estar (Ibem), é médica-veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com mestrado em Ciências Alimentares no Instituto Nacional Agronômico de Paris-Grignon, na França. É especializada em Pecuária Orgânica e em Qualidade de Alimentos com experiência em treinamento e capacitação de pessoas no Brasil e no exterior. Também atua na formação e desenvolvimento de redes de comunicação. No Ibem, foi mentora e coordenadora dos projetos Arte e Solidariedade e Jardim Didático, e atualmente é a coordenadora dos cursos. Também é vice-presidente da Vey.Org – Comissão de Pecuária Orgânica da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária e,em nível internacional, é integrante da IAHA – Aliança para Pecuária da IFOAM – Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica.

Cristiane Pizzutto

Médica- veterinária, professora de bem-estar e reprodução de selvagens 

Ser médica-veterinária é….

“Para mim, significa realização e conquista de tudo aquilo que sonhei e lutei. Minha área de atuação me proporciona muita satisfação, pois consigo atuar diretamente na melhoria da qualidade de vida dos animais. A Medicina Veterinária possibilita enxergar o mundo de forma ampla e conectada e trouxe a oportunidade de trabalhar com animais selvagens de forma integrada, seja na reprodução em prol da conservação, seja no bem-estar destas espécies quando mantidas sob cuidados humanos”.

Seu eu pudesse dar um conselho, seria…

“Lutem muito pelo sonho de vocês. Invistam na sua capacitação pessoal, estudem sempre, busquem orientação e conselhos de profissionais experientes. A Medicina Veterinária é uma profissão gigante, tanto em importância quanto em áreas de atuação. Sejam sempre o melhor que vocês puderem ser, pois sempre existirá espaço para médicas-veterinárias e zootecnistas competentes e engajadas com a profissão”.

Quem é Cristiane Pizzutto?

Ela é médica-veterinária, mestre, doutora e pós-doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP). Atua na área de bem-estar de animais selvagens desde a década de 1990. Atualmente, é professora e orientadora no programa de pós-graduação em reprodução animal da FMVZ-USP, com projetos que envolvem bem-estar e conservação de espécies silvestres e exóticas. Também é presidente da Comissão Técnica de Bem-Estar Animal do CRMV-SP e vice-presidente do Instituto Reprocon (Reproduction for Conservation), onde desenvolve projetos com o uso de biotecnologias reprodutivas para a áreas de animais silvestres e exóticos. É também sócia-fundadora de uma empresa que trabalha com comportamento e bem-estar animal, contribuindo para melhorar a qualidade de vida de animais mantidos sob cuidados humanos.

Elisa Osmari

Zootecnista, metre em Ciências em Zootecnia

Ser zootecnista é….

“É viver o sonho de uma vida. Achava que trabalharia com animais para a nobre função de alimentar as pessoas, mas depois descobri que ser zootecnista também significa trabalhar mais com as pessoas que têm ou cuidam dos animais. Minha experiência a campo e em diversos estados nesses anos de profissão me deram uma importante bagagem profissional para quando me tornei deficiente, o que soma mais um rótulo de preconceito a ser quebrado na profissão.

Felizmente, a Zootecnia nos dá um forte alicerce para atuar em várias áreas multidisciplinares, tanto que hoje trabalho principalmente com sistemas de inteligência de dados na pecuária e bem-estar animal”.

Seu eu pudesse dar um conselho, seria…

“Não desista no primeiro não, faça estágios desde cedo para descobrir do que gosta e aprenda o máximo possível. Muitos vão dizer que é feminina e delicada demais, que você não deveria escolher essa profissão porque não tem a mesma força física de um homem no campo; outros vão dizer que você é masculinizada demais, que devia ser mais feminina, e, acredite, vai ouvir mais ainda, especialmente quando você almejar crescer na carreira.

Não desista e siga em frente, mostrando seu serviço com empenho e competência. Quando subir, estenda a mão para outras mulheres competentes subirem também, diga não à tentação da síndrome da abelha-rainha e à síndrome da impostora, porque juntas podemos ir muito mais longe. Muitas pessoas acreditaram na minha capacidade para eu estar aqui hoje, por isso precisamos acreditar e dar oportunidades para as que vêm depois de nós”.

Às estudantes….

“Recomendo investirem na capacitação de recursos humanos e liderança, além de muito Excel e estatística, é claro. Existem bons livros sobre iniciativa e liderança feminina, dentre eles ‘Faça acontecer’, da Sheryl Sandberg, conselheira da administração do Facebook”.

Quem é Elisa Osmari ?

Mestre em Zootecnia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atuou na pecuária em vários estados como São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Rio Grande do Sul. Ministrou cursos de nutrição e manejo de pastagem para bovinos e bubalinos de leite e foi coordenadora regional em Boas Práticas Agropecuárias em Bovinos de Corte da Embrapa, em Rondônia.

É integrante da Comissão de Serviço Social do CRMV-RS. Trabalhou com ruminantes, coelhos e chinchilas, dentre outros. É também analista na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), atuando no setor de gestão de campos experimentais animal, na gestão ambiental e em sistema de inteligência de dados da pecuária.

Após sofrer uma lesão e adquirir uma deficiência, passou a atuar principalmente em gestão ambiental, sistemas de inteligência de dados da pecuária e bem-estar animal.

Greyce Lousana 

Médica-veterinária, especialista em pesquisa clinica

Minha mensagem é… 

“Para as mulheres veterinárias e zootecnistas em início de carreira, abram sua mente e ampliem seus horizontes. Existem muitas oportunidades em setores de que você não ouviu falar.

A profissão que escolhemos ou que nos escolhe deve ser sempre encarada como um ofício e você pode ser mais uma ou aquela que o realiza com paixão. O meu ofício me realiza como mulher e como pessoa”.

Quem é Greyce Lousana?

Ela iniciou sua carreira na década de 1980, na bancada de um laboratório, no setor de pesquisa. Dez anos depois, já atuava na condução de estudos clínicos para avaliar a segurança e eficácia de produtos sujeitos ao controle sanitário e, a partir daí, estruturou diferentes serviços para indústrias, universidades, laboratórios e demais locais

Hoje, coordena o Fórum Permanente dos Comitês de Ética e Profissionais em Pesquisa da Câmara Municipal de São Paulo e é secretária adjunta da Frente Parlamentar da Saúde e Pesquisas Clínicas da Assembleia Legislativa do estado para o grupo de trabalho sobre Pesquisas Clínicas. Greyce é graduada em Medicina Veterinária e em Biologia.

Heloisa Justen 

Médica-veterinária de Clínica e Cirúrgica de Gatos e professora universitária

Ser médica-veterinária é…

“É estar plena e consciente da importância da profissão escolhida e saber exercê-la com excelência para o benefício dos animais e da sociedade”.

Minha mensagem….

“Sejam eternamente gratas a todas as oportunidades profissionais que surjam. Certamente, se houver várias atividades, uma complementa a outra. Procurem conviver com pessoas positivas, que te prepararem e estimulem. Busquem referências do bem-fazer e sempre recorram ao suporte familiar. Sejam  instrumento de inspiração para todos ao seu redor. “

Quem é Heloisa Justen ?

Com formação em clínica médica cirúrgica, graduou-se em Medicina Veterinária, cursou mestrado em Cirurgia Veterinária e doutorado em Patologia Experimental, todos na Universidade Federal Fluminense (UFF).

É professora concursada auxiliar de cirurgia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e professora titular da disciplina de Patologia Clínica Cirúrgica na graduação, e de Clínica e Cirurgia dos Gatos Domésticos na pós-graduação.

É responsável pelo setor de atendimento a felinos da UFRRJ e pela orientação de residentes, mestrandos e doutorandos em clínica e cirurgia de gatos.

Mitika Kuribayashi Hagiwara

Médica-veterinária, professora titular aposentada do Departamento de Clínica Médica da FMVZ- USP e professora emérita da FMVZ-USP

Ser médica-veterinária é…

“É a plena realização do anseio profissional de atuar dentro da área biológica. Ser mulher significava, pelo menos na época em que estudei, me formei e exerci a atividade profissional, dedicação máxima, jornada dupla para poder contemplar também o anseio de maternidade e constituição de uma família sólida. Muitas renúncias dos sonhos pessoais, porém totalmente compensadas quando faço retrospectiva da minha vida”.

Se eu pudesse dar um conselho, seria…

“Sejam sonhadoras, objetivas e determinadas. Façam parte ativa de uma sociedade justa, democrática, humanizada, igualitária e produtiva”.

Quem é Mitika Kuribayashi Hagiwara?

Ela é médica-veterinária com especialização, mestrado e doutorado em saúde pública veterinária; clínica autônoma e docente da disciplina de Clínica Médica de Pequenos Animais e de Patologia Clínica Veterinária. Vasta atuação em ensino, pesquisa e extensão na FMVZ-USP, onde se dedicou à carreira acadêmica como auxiliar de ensino, professora assistente, professora doutora, livre docente e professora titular de Clínica Médica de Pequenos Animais.

Já organizou oito cursos de especialização em Patologia Clínica Veterinária na FMVZ-USP (aprovados pela USP e reconhecidos pelo MEC). Sua carreira contempla também dezenas de trabalhos publicados e centenas de palestras em eventos.

Safira Bispo

Zootecnista, professora de Produção de Ruminantes

Ser zootecnista é…

“Representa um dos motivos pelos quais eu me levanto todos os dias, a responsabilidade pela formação de jovens, o que vai muito além da formação profissional e é o pleno exercer da maternidade, da empatia e do amor. A Zootecnia me transformou em uma mulher mais forte, mais consciente do meu papel na sociedade e o entendimento de que a resistência e a luta por uma causa não cessam”.

Seu eu pudesse dar um conselho, seria…

“Sonhe alto, tenha coragem, acredite em você, acredite na força dos bons pensamentos, não desista e tenha foco. A gente não nasce sabendo, nós aprendemos fazendo, então enfrente os desafios com humildade e não tenha medo; e jamais pare de estudar e de lutar pelo que você acredita”.

Quem é Safira Bispo? 

Tem graduação em Zootecnia e mestrado e doutorado pela Universidade Federal Rural do Agreste de Pernambuco (Ufape) e pós-doutorado em Zootecnia pela Mcgill, no Canadá. Atualmente, é diretora do departamento de ensino da Ufape e professora das disciplinas Bubalinocultura, Fisiologia de animais em Lactação e Zootecnia Especial e ESO. A zootecnista é também vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV-PE) e integra a Comissão Nacional de Educação em Zootecnia do CFMV. Atua nas seguintes linhas de pesquisa: avaliação de alimentos e sistemas de alimentação para animais ruminantes.

Da clínica ao campo elas formam a maioria na Medicina Veterinária 

Dia Internacional da Mulher – 8/3

Da clinica ao campo, passando pela indústria, pesquisa, instituições, governos e empresas, as mulheres contribuem para o crescimento dos mais diversos segmentos de atuação da Medicina Veterinária e Zootecnia, especialmente do agronegócio e do mercado pet, tão significativos para a economia do país.

No Brasil, a primeira médica-veterinária mulher formou-se quase 15 anos após o primeiro médico-veterinário homem. Esse cenário começou a mudar em meados do século XX, devido aos avanços feministas na sociedade e a mudanças no cerne da própria Medicina Veterinária, como a ascensão da preocupação com o bem-estar dos animais. “Assim, atributos considerados femininos, como afetividade, atenção, cuidado e sensibilidade passaram a ser valorizados, aumentando o número de mulheres na profissão, mas conduzindo-as principalmente para a atuação com os pequenos animais”, afirma estudo apresentado em 2021, na 10º Coninter – Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades.

As mulheres são antenadas às novidades e normas que regem as profissões. Engajadas e participativas, são a maioria nas mídias sociais do CFMV; representam mais de 70% dos seguidores na página de Facebook e do perfil do Instagram do conselho federal. Embora não haja dados sobre as áreas de maior atuação das mulheres na Medicina Veterinária, representantes do ensino estimam que a maioria ingresse no curso em busca de uma carreira na clínica de pequenos animais. Há, entretanto, profissionais do sexo feminino em todos os setores da Medicina Veterinária e Zootecnia.

Igualdade de gênero

Apesar da mudança de cenário em várias profissões, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a discriminação de gênero no local de trabalho é ainda uma barreira para a igualdade de gênero. Em muitos países, as mulheres enfrentam desigualdades salariais, falta de proteção contra a violência e assédio no trabalho, e limitações em relação ao acesso a oportunidades de emprego e promoção.

Em consonância com a OIT, o Relatório Global sobre Desigualdade de Gênero 2021, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, afirma que a igualdade de gênero no mercado de trabalho ainda está longe de ser alcançada em todo o mundo. O relatório assinala que, em média, as mulheres ganham apenas 60-75% do salário dos homens por trabalho equivalente e que as mulheres são significativamente menos representadas em posições de liderança e alta remuneração.

documento apresentado no 10º Coninter relata que, no Brasil, as médicas-veterinárias ainda enfrentam diversos obstáculos no trabalho com animais de produção. Dados de um estudo realizado em Goiás indicam que 78% dos agricultores/pecuaristas preferem homens para atenderem suas propriedades rurais. “Para as médicas-veterinárias que, apesar dos estereótipos de gênero, optam por romper com a divisão sexual do trabalho, vários desafios se colocam, como provarem que são tão competentes como os pares masculinos e a desvinculação com atributos femininos não valorizados no trabalho com animais de produção”, diz a publicação.

É importante salientar que a igualdade de gênero no mercado de trabalho não é apenas uma questão de justiça social, mas também é benéfica para a economia e a sociedade como um todo. Quando as mulheres têm acesso a oportunidades igualitárias no mercado, elas podem contribuir para a economia e bem-estar social e aumentar o crescimento econômico.

Então, médicas-veterinárias e zootecnistas, continuem com estudos, pesquisas e participação em treinamentos e desenvolvimento profissional, na busca pela liderança e oportunidades de carreira, sempre colaborando com colegas e na defesa das profissões.

O CRMVPE agradece e reconhece a forte presença feminina no mercado de trabalho! Feliz dia pra você, mulher!