Dr. Luiz Augustinho Menezes da Silva. Foto: SF Fotografia

A grade de palestras da Semana do Médico Veterinário do CRMV-PE  foi aberta, nesta quarta-feira (12), pelo debate “Morcegos Urbanos e Saúde Pública: os Cuidados para uma Boa Interação”, comandado pelo Dr. Luiz Augustinho Menezes da Silva, biólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que abriu a conversa levantando a questão: afinal, os morcegos são vilões ou mocinhos? Com este mote, todo o debate foi desenvolvido em cima dos aspectos positivos e negativos da presença dos mamíferos em zonas urbanas.
Há uma grande variedade de morcegos no mundo, só no Brasil, são mais de 182 espécies do mamífero. Mais especificamente em Pernambuco, estudos apontam 30 espécies diferentes de morcegos vivendo em ambientes urbanos.
Segundo Luiz Augustinho, os morcegos são pintados como vilões, muitas vezes, por causa dos mitos e lendas nascidos das crendices populares, já que é comum que esses animais sejam associados aos vampiros, às bruxas e até aos demônios. Porém, voltando mais a linha do tempo, o professor resgatou simbologias positivas sobre o animal presente em outras culturas e civilizações, como os Maias, da América Central, que possuíam um Deus-morcego. Na China, o mamífero já foi considerado um símbolo da felicidade, e na antiguidade, o morcego era o representante da vigilância.
E os aspectos positivos da existência dos morcegos não param por aí. De acordo com o professor, ainda pode-se destacar o trabalho de dispersão de sementes realizado por eles, já que os animais chegam a transportar, aproximadamente, 500 sementes de plantas típicas de florestas e a polinização de pelo menos 500 espécies de plantas e 96 gêneros neotropicais em matas de capoeiras. Os morcegos também realizam o controle da população de invertebrados e vertebrados, e mais, espécies menos generalistas ainda podem ser utilizadas como bioindicadoras da qualidade do hábitat. Na África e em algumas tribos brasileiras, os morcegos são ainda utilizados como recursos alimentar.
Entre os aspectos negativos, o que mais pesa contra os mamíferos é a transmissão de doenças, como a raiva, histoplasmose e a criptococose. Na pecuária então, os prejuízos podem ser enormes, já que os morcegos hematófagos conseguem causar sérios danos ao transmitir o vírus rábico, chegando, em alguns casos, a reduzir drasticamente a população de mamíferos de criação.
As três espécies hematófagas, aliás, são muito responsáveis pelo preconceito sofrido pelos morcegos. As atividades crepuscular e noturna, o hábito de se abrigarem em cavernas e ambientes semelhantes também.

A estudante de Medicina Veterinária Camila Sousa. Foto: SF Fotografia

A estudante de medicina veterinária da UFRPE Camila Sousa, que acompanha programação da Semana do Veterinário desde o início, destacou a riqueza de informações da palestra. “O tema é muito interessante e ainda pouco debatido. Uma grande oportunidade de aprender, revisar e aprofundar nossos conhecimentos”, diz.
A incidência da raiva também foi abordada durante a palestra. Segundo levantamentos, entre 1991 a 2014, dos 186 municípios pernambucanos analisados, a cidade de São José do Egito se destaca na positividade de morcegos com a doença. No município, 13 casos foram confirmados durante o período.
O professor ainda deu dicas sobre os primeiros procedimentos a se tomar após um arranhão ou mordida de morcego e quais são as formas de se reduzir as agressões em humanos ou animais de estimação.
“É preciso desenvolver mais ações de educação em saúde voltadas aos morcegos, visando a preservação das espécies. A participação de órgãos públicos e da comunidade, nesses três níveis – educacional, saúde pública e arquitetura e urbanismo –  possibilitará uma coexistencia mais harmoniosa entre as pessoas e os morcegos”, afirma.

Palestra sobre esporotricose. Foto: SF Fotografia

Durante à tarde, o evento recebeu um seminário sobre esporotricose, uma problemática que tem deixado o estado de Pernambuco em alerta, sendo considerado um caso de saúde pública.  Para falar sobre a doença, uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que pode atingir humanos e animais, Francisco Duarte e Geane Oliveira, (Labend) ambos representantes da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), ao lado de Edna Michelly, professora da UFRPE.
À noite, às 19h, foi a vez da palestra Anclivepa-PE (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de Pernambuco) com o Dr. Fabrício Bezerra de Sá, da UFRPE. Com o auditório lotado, ele abordou as “Oftalmopatias dos Felinos”, discorrendo sobre os exames oftalmológicos necessários, sinais clínicos e tratamentos.

Dr. Fabrício Bezerra da Sá fala sobre as oftalmopatias felinas. Foto: SF Fotografia

Segundo ele, o diagnóstico começa com o reconhecimento dos sinais, do que se pode visualizar no animal e também com as respostas apresentadas pelo tutor sobre questionamentos indicadores. “A partir do exame clínico é que fechamos o diagnóstico sobre a acuidade visual do animal. Os exames eletrofisiológicos podem quantificar o quanto ele enxerga ou perdeu de visão. Com isso podemos definir os tratamentos medicamentosos sistêmicos e tópicos para inflamações oculares, com a participação do tutor. Agora tem situações que não existe saída, no caso de uma catarata, tem que ser uma cirurgia”, alertou Fabrício.